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ABRAÇO    – Na entrada, um alto portão de madeira. Ao fundo, floresta e cachoeira. A bica de água que corre pelas pedras se escuta de longe. Várias pessoas em fila conversam em tom baixo e se entreolham. Todas de branco. Algumas sorriem. Outras cantam. E algumas até nem parecem estar ali de tão concentradas que estão. As portas se abrem e um a um vão entrando no lugar. A cortina de fumaça embriaga e purifica. O cheiro é bom. Nos dois lados, duas estátuas. Vermelho e Azul. Eu as cumprimento e peço licença. De cabeça baixa, me sento e busco tranquilidade ao olhar o pilar daquela casa. Casa de palha e de luz. O conforto que sinto é belo e simples. Procuro os tambores e, logo, eles vem a mim. A música começa e o ritual também. Bato palmas e firmo o pensamento. Já já Eles chegarão do alto. Bem do alto. Arrepio ao ouvir o primeiro grito, a primeira demonstração de força e choro, ao perceber que quase tudo ocorre às cegas. O movimento na casa é flutuante. Os pés no chão uma certeza e necessidade.

O corpo frágil de mulher ganha a imensidão de um gigante. Em seguida, os outros vem. E nesse instante, o céu vem ao chão. Tudo é festa e felicidade: cumprimentos de braços e almas, pés que dançam na areia, fitas coloridas que enfeitam testas, mãos e cabeças que beijam e riscam a terra, linhas imaginárias que surgem e fecham corpos. Sabedoria, amparo e cumplicidade. Só assim funciona e só assim se manifesta.

O abraço vem. Ele contorna e preenche todos os movimentos. Não é só um gesto ou uma expressão do corpo. É o abraço que dá sentido a tudo. É o momento eterno em que dois ou mais se tornam um. É ao mesmo tempo o encontro e a despedida. É o instante no qual se doa e se recebe. É o momento de amor. E só amor.

Um abraço pra você.

DE MANHÃ CEDINHO

Vai agora
Deixando a canção
abrir devagar
seus olhos e olhar

Vem me abraça
Boceja pra mim
Joga o corpo pro céu
Espreguiça no ar

Mas que coisa
Pousa sem pressa e por fim
Me repousa
Mora aqui dentro de mim

Mas nem sempre
tudo é sono
“coisa linda”
tá na hora de acordar

TÉO

Dei cabeça cafuné
Abraço no seu pé
Meu dedo seu umbigo sim

Coça olhinho sem saber
Titio vem te ver
Sorri como um velhinho sim

Tudo bem
me promete assim pequeninho
que entre nós só tem amor

Tem boquinha da mamãe
Careca do papai
Sapeca mais calminho assim

Téo
bonito de dizer
Mais lindo ainda de se ver
Família tá completa, enfim

Tudo bem
me promete assim pequeninho
que entre nós só tem amor

DENTRO DA BARRIGA

Eu já pedi pra não falar
Deixa que eu conto e fica tudo bem
Digo que engoli um caroço
E um pé de gente nasce em mim
bem dentro de mim

bem dentro de mim
tem dois corações
batendo no mesmo compasso

Lá eu sei quase uma vida
Logo vem a barriga

Enquanto isso eu fico aqui esperando
Você chegar

Tudo é você agora, eu sei
tanta fé só faz
que o nada seja quase
mais além, você agora é
pontapé no mundo
cada segundo foi tudo

SIMPLES

Eu fico pensando se você
já encontrou em si
tudo aquilo que queria
como o sol e o mar
você é simples

Eu fico pensando por você
já que decidi
qual o filme de domingo
Será que a sessão das 3
é tão completa quanto a sessão das 6
E simplificar pra nós dois é complicar

o conceito de incerteza
que ao certo todos tem
ser complexo só interessa
se assim belo for também

seu sorriso é como pura melodia
e tudo que faz vira uma linda sinfonia
E simplificar pra nós dois é complicar

VERMELHO

Eu paguei pra olhar
corpo, curva, dança
fiz você meu altar
me despedi
de todo e qualquer lugar

te pedi pra tocar
mas, só vi silêncio
preferi na memória guardar
vermelho é a cor desse lugar

Você olha e não vê
que eu sou só desejo
canta um ponto pra mim
e fico assim perdido em qualquer lugar

Te mostrei timidez
e esperei silêncio
E torci pra somente essa vez
vermelho ser a cor desse lugar

SONECA

Trouxe de lá
uma lembrança leve
que parada no ar
flutua feito pó dançando na luz

traduz essa imagem
sem pé nem cabeça
veja só
sem ponto final

corro e tento te alcançar
mas, você diz: desculpa!
Choro até me desmanchar
e desaparecer

Sol evapora o resto de tudo / sol leva embora o resto de tudo
olha, vai chover
e só assim consigo de novo
abraçar você

AGRADECIMENTO

– Era pra ser somente um desabafo. Não foi. Coisas e canções que estavam guardadas bem dentro de mim. Melodias que não foram usadas pelos Móveis Coloniais e idéias que talvez, pelo momento, não cabiam na banda. 

Tudo aqui é uma combinação de vibrações de amor e de simplicidade. O amor pela minha esposa, pela minha família, o fato de ser padrinho pela primeira vez... Senti a necessidade de unir algumas idéias com um conceito sonoro e estético diferente do que estava acostumado com o Móveis. Além disso, sentia vontade de viver a experiência de conduzir um processo mais pessoal e individual.

Diego Marx, meu irmão de alma, me ajudou a fazer isso tudo. Ele é mais do que o produtor do disco. Ele é quase um autor. Me ajudou a construir a noção de espaço e pertencimento ao que eu estava fazendo.

Henrique Andrade também teve uma participação importantíssima no processo! Obrigado pela dedicação e companheirismo.

Ainda, graças a outro dois grandes amigos, o Ep veio recheado de muito mais amor. André e Renatão: vocês são geniais.

Agradeço especialmente minha esposa e minha família pela confiança em mim. Obrigado a todos outros envolvidos que acompanharam tudo bem de perto: Kelton, Ivan, Xande, Bruno e Móveis .

Tomara que vocês gostem das músicas. Foram criadas com muito carinho. 

Obrigado por ouvirem e por participarem disso comigo.

Com muito amor.

FICHA TÉCNICA Todas as músicas por Beto Mejía / Arranjos: Beto Mejía, Diego Marx e Ivan Chiarelli / Pianos por Beto Mejía / Guitarras por Beto Mejía, Diego Marx e Kelton Gomes / Baixos por Beto Mejía e Kelton Gomes / Programações e Percussões Diego Marx e Beto Mejía / Bateria por Lucio Batuca / Gravado e Produzido por Diego Marx e Beto Mejía no estúdio Pé do ouvido em setembro de 2011 / Mixado por Henrique Andrade, 2012 / Masterizado por Reuben Ghose no Mojito Mastering Studio Toronto, Canadá, 2012 / Fotos por Bruno Delabandeira e Beto Mejía / Arte gráfica e design : André Gonzales e Cria Design

BETO MEJIA - Sou casado com uma mulher maravilhosa. Pretendo ter alguns filhos. Uns 6, talvez. Tenho uma irmã que mora em outro país e tenho uma sobrinha de 6 meses que lambe os próprios pés sem frescura e dó. Minhã mãe defende o meio ambiente e meu pai é engenheiro. Cada um mora em um lugar do Brasil. Acredito nas forças dos Orixás. Sou Corinthiano e queria ir para o Japão. Já toquei com uma galera da pesada. Estudei piano e flauta na Escola de Música de Brasília. Já produzi discos e bandas de Brasília. Já produzi o festival de Música Móveis Convida, da minha outra banda Móveis Coloniais de Acaju. Se pudesse escolher ter uma outra habilidade, queria escrever como o Mia Couto. Usar as palavras daquele jeito, só sendo puro coração. E é isso que quero ser. Puro coração. PRESS RELEASE

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